quinta-feira, 16 de julho de 2009

VANS SAPATOS

*em 29/03/2005 17:48

"Perdi ontem os meus brios...
Deixe-me arfar em desespero

Perdi, como quem perde os filhos

Como quem perde a própria vida

Perdi essa vontade de olhar o céu,
De se banhar de lua e mergulhar no mar...

Perdi as cores que pintavam as paragens de meus olhos
Da mesma forma que perdi o brilho deles

Se foi, como um desses desastres naturais

Que nos vem de repente, sem escolha nem refúgio

Quase sem chance de me voltar com vida,
De me voltar a vida que se esvai....


Sem que eu pudesse pensar

o quanto me eram tão importantes

Ainda mais que os diamantes
e os minerais mais deslumbrantes


Perdi quem me sustentava os pés
Quem me protegia dos cacos

Do caos da terra
E dos atos incrédulos de frio e fome


Senti, como quem sente a perda de um homem
Que em vida fora terno e generoso


Perdi aquilo que, de mais viçoso

A minha mocidade possuía



Como posso conformar-me em perder sorrisos?

Noites de luz da lua e violão?

Corridas diurnas nos campos e jardins?

Longas cavalgadas e a bela canção?



Aquela mesma que a ti fiz, um dia
Dia que tão feliz te possuía

Ingenuamente não me percebia...


Perdi enfim, meus sonhos

Minha verdade

Perdi assim, até minha identidade

Foram-me os dias perdidos, sem saber



Simplesmente foram como acabo de aprender

Que assim nos fazem todas as coisas nessa vida



Porém perdi de mim grande pedaço

Perdi meus pés que se negam a me sustentar

Os mesmos que me causam o embaraço

De não compreender tais laços,

Nem onde me foram parar os cadarços

Que a meus olhos não se querem mais mostrar



Perdi minha alma, agora perdida

E nem sei o que será desses meus atos

Porque eu perdi os meus sapatos..."





*Dedicado ao grande artista-plástico Vicent Van Gogh


(Ilustração: "Um par de sapatos" de Vicent Van Gogh)






OLHOS



"Olhos de crianças falam,
Olhos de crianças choram,
Choram quando falam, moram
Dentro de meus próprios olhos...

Olhos do céu são estrelas
Choram mais do que as crianças
Quando encharcam a'lma chove
Nunca perdem a esperança...

Chôro quando pára escorre
Fôlego da alma encurta
Coração calado chora
Um amor parado escuta..."

terça-feira, 14 de julho de 2009

BRANCA FULÔ



Branca fulô cantadeira encanta teu canto se bota a girar,
Se tu nasceu fulô branca segura essa saia e vem cirandar...

TUDO

*todos os direitos reservados

Tudo ficou sem graça
Amor em preto e branco
Dentro desse canto
Quero te encontrar

Tudo mudou, a praça,
O riso, a festa, a sina,
Sem essa menina vou me acabar

Tudo perdeu a graça da sua graça
Tudo correu, sentido fez fumaça
Teu cheiro, teu amparo, tua pele fina
Olhos de menina, cor do azul do mar

Tudo perdeu a graça da sua graça
Tudo correu, sentido fez fumaça
Teu cheiro, teu amparo, tua pele fina
Olhos de menina flor do meu olhar

segunda-feira, 13 de julho de 2009

CHORO DE SOL, GOSTO DE SAL N'ALMA

*em 04 de abril de 2005

Hoje o céu me acordou azul e o sol amarelo, como sempre, cheio de raios...

Diferente do branco e preto de ontem, também diferente do que esperava, pois o sol numa surpresa desenfreada, quis ver minh'alma lavada e por isso chorou.

Hoje choveu e fez sol ao mesmo tempo, como se esse sol se tornasse meu cúmplice, como só ele pôde entender.

E eu me fiz todas as cores, que o sol refletia em suas lágrimas e pintei de arco-íris os meus cabelos.

Saí.

Tomei banho de chuva de roupa e mochila e rí.
Um riso molhado e ainda fumê, mas ainda assim resplandecente.
Rí do ônibus que terminou de fazer o favor de converter-me em charco, enquanto todo resto das gentes se protegia em suas paradas, do era inevitável, do que já encharcara a alma...

A lama era creme para os cachos com cheiro de café com chocolate e meu pé o leme de meu próprio rumo.

Eu ví o céu e o sol chorou comigo e me ensinou a sorrir, esta manhã.

Quando a lua ocupar o seu lugar, estarei posta e nua para o próximo banho desta alma que o corpo aperta.

E espero nua, essa lua, que vem me afagar até o próximo sol.